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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cegueira por desatenção pode ser a causa pela qual seu filho não dá a mínima para o que você diz

Dificilmente algum pai ou mãe nunca passou por isso: tentar – sem sucesso – dar instruções simples para as crianças enquanto elas estão vidradas na televisão, jogando ou lendo um livro. A capacidade delas de ignorar o que acontece fora do seu foco imediato de atenção é tão grande que nem um megafone parece ser suficiente para conseguir uma resposta.

Mas os cientistas acreditam que há realmente uma razão para a falta de consciência dos baixinhos, que está ligada à forma como o cérebro se desenvolve. Eles dizem que as crianças não ignoram intencionalmente; na verdade, eles estão passando por algo chamado de “cegueira por desatenção”.
Essa cegueira é a diferença entre olhar e ver o que está realmente lá, entre ouvir e registrar o que realmente foi dito. O resultado é uma falta de consciência, especialmente fora do foco imediato de atenção.
De acordo com a professora Nilli Lavie, do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade de Londres (Reino Unido), as crianças têm consciência muito menos periférica do que os adultos.

“Os pais e encarregados pela educação devem saber que mesmo concentrar-se em algo simples fará com que crianças fiquem menos conscientes do que acontece a seu redor, se comparadas com adultos. Por exemplo, uma criança que tenta fechar seu casaco ao atravessar a rua pode não ser capaz de perceber o tráfego, enquanto que a mente desenvolvida de um adulto não teria nenhum problema com isso. A capacidade para a consciência fora do foco de atenção se desenvolve com a idade, por isso crianças mais novas têm maior risco de apresentarem um quadro de cegueira por desatenção”, define a especialista.
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Os argumentos da professora Lavie são baseados em uma experiência que ela realizou recentemente para níveis de teste de cegueira por desatenção em crianças e adultos. Ela pediu que mais de 200 visitantes do Museu da Ciência, em Londres, julgassem qual a linha em uma tela era a mais longa, em sete exemplos diferentes. Em uma tela, um quadrado preto brilhou e os participantes foram questionados se eles notaram isso ou não.
Enquanto 90% dos adultos foram capazes de detectar o quadrado preto na maioria das vezes, as crianças tiveram desempenho muito pior, com menos de 10% delas com idade entre sete e dez anos percebendo o quadrado.
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Crianças de 11 a 14 anos também mostraram uma consciência espacial inferior. Além disso, a consciência deles do que acontecia ao redor diminuiu à medida que a dificuldade da tarefa aumentou.

Esta foi uma descoberta que surpreendeu a professora. “Nas crianças, o córtex visual primário não estava respondendo ao objeto na tela e isso parece se desenvolver com a idade, até os 14 anos. Mas eu não esperava que as crianças mais velhas também sofressem de cegueira por desatenção. Seria interessante ver em que ponto ele (o córtex visual primário) se desenvolve plenamente”, propõe.
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Pesquisas anteriores em cérebros adultos sugerem que o córtex visual primário é a parte do cérebro responsável por perceber as coisas – se esta área é danificada, as pessoas tendem a ter menos consciência periférica.
Há implicações óbvias de segurança para este atraso no desenvolvimento. Enviar mensagens de texto enquanto se atravessa a rua torna-se muito mais perigoso se a consciência periférica está comprometida, por exemplo.
Mas há benefícios também.
Quem tem problemas de concentração e não para de se distrair com tudo e qualquer coisa poderia desejar ter essa “cegueira”. Certamente a falta de consciência periférica significa que podemos manter nosso foco.
Psicólogos afirmam que todos nós temos uma capacidade limitada de atenção, até certo ponto, e na realização de tarefas muito exigentes essa é uma característica necessária.
Richard Wiseman, professor de psicologia na Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, estudou o processamento visual humano a fundo e o descreve como “extremamente complicado”.
“Grandes partes do cérebro são dedicadas a ele. É muito difícil, por isso nós não queremos processar coisas que não são importantes. É por isso que você precisa da cegueira por desatenção, caso contrário, você não seria capaz de concentrar-se – e essa não é uma boa maneira de viver neste mundo”, sugere.
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“O cérebro nos dá a ilusão de que está constantemente monitorando tudo, por isso somos surpreendidos quando não notamos algo óbvio”, explica Wiseman.


O professor usou e remodelou o famoso “teste de atenção seletiva” criado por Daniel Simons para demonstrar como é fácil não perceber a presença de um gorila em um vídeo (acima).
Ao assistir ao vídeo, as pessoas são convidadas a se concentrar em outra coisa – neste caso, no número de vezes que a bola é passada entre pessoas jogando basquete. Em outro teste, ele pede às pessoas para se concentrarem em um truque de cartas. Durante o truque, alguns itens do fundo mudam de cor, mas poucas pessoas percebem.
O professor Wiseman diz que as pessoas criativas tendem a ser melhores em detectar coisas do que os outros, enquanto que os indivíduos que se sentem ansiosos ou preocupados com a tarefa são menos propensos a notar o gorila na sala.
Ele afirma que há muitas ocasiões na vida em que nós deixamos passar as coisas óbvias que se escancaram na nossa frente só porque estamos totalmente focados em outro problema. Motoristas dizem que não viram pedestres porque estavam concentrados em outros riscos, por exemplo, e pilotos de avião perdem as luzes de aviso no cockpit porque estavam ocupados com outros assuntos. 
fonte: http://hypescience.com