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terça-feira, 12 de março de 2013

Hiperatividade! ou TDAH ou simplesmente DDA


Diagnóstico!
O termo que caiu na boca do povo é apenas uma faceta do chamado Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, o TDAH ou, como preferem alguns especialistas, simplesmente DDA. Isso mesmo: o traço essencial dessa doença que atinge de 3% a 5% das crianças são as alterações na atenção - e não aquela típica hiperatividade. A inquietação física e a impulsividade, as outras duas características do problema, podem aparecer ou não nesses pequenos. O comportamento da pá virada é mais comum nos meninos e acomete cerca de metade desses pacientes. Aliás, ele nada mais é do que um reflexo da agitação mental, povoada de pensamentos acelerados - justamente o que está por trás da falta de concentração. Já nas meninas, o traço mais marcante é a desatenção. Essas pequenas pacientes parecem viver no mundo da lua e costumam ser mais rotuladas de avoadas.
A principal ferramenta para a avaliação desses pacientes é a observação clínica e o histórico. O profissional deve estar muito bem treinado para captar sutilezas e nuances do comportamento da criança e detectar fatos que possam caracterizar o distúrbio. Mas, além dos critérios técnicos, ele deve ter muita sensibilidade para descobrir se esse é apenas o jeito de ser da criança ou se há outros problemas que podem estar motivando um comportamento mais agitado. Também é possível lançar mão dos exames de neuroimagem, como a tomografia, para complementar o exame clínico e excluir outros distúrbios.




Causas!

Há muitas especulações sobre as causas do problema, mas hoje sabe-se que há um forte componente genético na doença. Tanto que filhos de pais com o transtorno têm mais chances de nascer com o problema. Estudos feitos a partir de tomografias mostram que há uma diminuição do fluxo sangüíneo na parte da frente do cérebro dessas pessoas, especificamente no córtex cerebral direito. Com o aporte de glicose reduzido, a região funciona em marcha lenta. Outros trabalhos mostram uma queda nos neurotransmissores dessa área, principalmente a dopamina - que justamente está relacionada às funções de atenção, impulsividade e atividade física e mental. Outras causas, como traumatismos no nascimento, exposição a drogas durante a gravidez e a desestruturação familiar, ainda precisam ser melhor investigadas.

É fato: desde cedo as crianças que padecem do déficit de atenção recebem vários rótulos nada amigáveis. São os "avoados", "pestinhas", "burros", só para ficar com alguns exemplos. Sem um diagnóstico e um bom tratamento, essa pecha vai acompanhar a vítima pela vida toda. O abalo na auto-estima e na auto-imagem é enorme. A pessoa fica cada vez mais insegura e enfrenta dificuldades nos relacionamentos, nos estudos e no trabalho. Pesquisas mostram que esses pacientes têm mais tendência a desenvolver outros problemas, como ansiedade, depressão, transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e dependência de drogas.







Tratamento!

O tratamento inclui remédios que estimulam as substâncias em desequilíbrio no cérebro a trabalhar melhor. Isso melhora a concentração, ajuda a organizar as idéias e a moderar a impulsividade. Há inclusive medicamentos de ação prolongada que facilitam o controle dos sintomas. Além das drogas, a psicoterapia é fundamental. Nesses casos, a chamada cognitivo-comportamental dá os melhores resultados. Nela o psicólogo funciona como um treinador que, com técnicas específicas, ajuda o paciente a agir e pensar. Também podem entrar em cena outros profissionais, como psicopedagogos e fonoaudiólogos. A duração do tratamento vai depender das características de cada paciente. Mas atenção: a doença não tem cura e, sem controle, 70% dos pacientes convivem com o sintomas a vida toda.



Atitudes que ajudam




Com pequenas atitudes, os pais podem ajudar - e muito - o filho com déficit de atenção. Em primeiríssimo lugar, a família não deve se culpar pelo problema nem comparar a criança com outras bem-comportadas. A casa precisa de organização, sem estímulos que roubem a atenção desses pequenos, como excessos na decoração. É fundamental estabelecer uma rotina com horários para brincar, estudar e dormir. A escola também tem papel fundamental para evitar rótulos e preconceitos. Uma das dicas aos professores, por exemplo, é repetir as instruções ao hiperativo, pois ele precisa de reforços para manter a atenção. Aqui vão algumas dicas:

• coloque o relógio para despertar quinze minutos antes. Isso evita atropelos na hora de acordar

• anote em um quadro as tarefas do dia e os horários para que ele possa se organizar melhor


• recompense-o sempre que conseguir cumprir seus compromissos


• dê uma ordem de cada vez e certifique-se que ele esteja prestando atenção


• observe quanto tempo ele suporta ficar sentado. Esgotado esse prazo, permita que ele estique as pernas, caminhando um pouco


• entre uma tarefa e outra, não deixe que ele se distraia com brinquedos ou TV


• estimule jogos com regras. Assim ele vai perceber que é preciso respeitá-las e pode usar esse aprendizado em outras situações


• não entulhe o quarto e a casa com brinquedos e objetos, que podem atrapalhar ainda mais o precário senso de organização


 Ping-pong com Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro



A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva (anabeatriz@medicinadocomportamento.com.br), presidente da Associação dos Estudos do Déficit de Atenção, é autora do best-seller Mentes Inquietas (Editora Gente), que trata do distúrbio do déficit de atenção em linguagem fácil e acessível. O sucesso estrondoso - o livro já está na 34ª edição - pegou de surpresa a própria autora.

Saúde! - O sucesso do seu livro é um indicativo da carência de informações sobre essa doença?

Dra. Ana Beatriz - Estou muito surpresa, pois afinal é um livro que trata de um tema técnico e, no entanto, ele está sendo lido por todo tipo de pessoas, inclusive adolescentes. Ao ler os e-mails que recebo, percebi que o livro despertou o desejo de melhorar em muita gente. Não tenho dúvidas que a falta de informação sobre DDA é um dos maiores problemas que dificulta a procura de ajuda. O auto-conhecimento é o único caminho para buscarmos a felicidade, que só pode ser adquirida quando entendemos o que temos de bom, do que somos capazes, como amamos e nos sentimos confortáveis e como podemos identificar e amenizar nossas limitações e dificuldades.


Saúde! - Como diferenciar uma criança hiperativa de uma simplesmente sem limites?


Dra. Ana Beatriz - Os três sintomas principais do DDA como a distração, impulsividade e hiperatividade são típicos da infância. Quem não conhece uma criança agitada, cheia de energia, que corre de um lado para o outro ou que não presta atenção por um tempo prolongado se uma determinada atividade não tiver um atrativo especial? O que diferencia uma criança um pouco mais ativa daquela que de fato apresenta o DDA é a intensidade, a freqüência e a constância daqueles três sintomas principais. Tudo na criança DDA parece estar a mais.


Saúde! - Quando é hora de procurar ajuda?


Dra. Ana Beatriz - É muito comum os pais demorarem a admitir que seus filhos precisam de ajuda por achar que a agitação faz parte de um comportamento saudável ou por medo de uma avaliação psiquiátrica. Mas, muitas vezes, os sintomas dos DDA se manifestam ainda no berço, quando as crianças esperneiam, têm sono agitado ou gritam exageradamente quando suas vontades não são satisfeitas. Outras vezes esses sintomas não são tão evidentes e passam despercebidos até mesmo para os observadores mais atentos. Já na fase escolar, é possível perceber melhor as dificuldades, pois serão mais exigidos em relação ao conteúdo didático-pedagógico, além da própria disciplina e das regras escolares, muito difíceis de serem seguidas por quem é DDA.


Saúde! - Qual o papel dos pais e da escola no controle do problema?


Dra. Ana Beatriz - A informação e o conhecimento são a base de tudo. Munidos desses recursos, tanto a escola quanto os cuidadores têm como suspeitar de sintomas DDA. A escola, na realidade, deveria ser um ponto de triagem para a identificação e orientação aos pais. Infelizmente, a realidade não é tão generosa assim. A escola ainda exclui ou penaliza os alunos "bagunceiros" ou aqueles que têm mais dificuldade no aprendizado, sem se aprofundar no assunto. Se os pais suspeitarem do problema, devem procurar ajuda e orientação de como conviver com o problema. Existem meios de melhorar a convivência familiar e estimular bons comportamentos nas crianças DDAs. Conhecer profundamente sobre o assunto é enxergar o mundo com os olhos de seus próprios filhos. O conhecimento também é fundamental para que os próprios pais se auto-avaliem, pois eles também podem ter as mesmas características. Isso também é construtivo, já que muitos se culpam por achar que o comportamento de seus filhos é devido a uma educação inadequada.


Saúde! - Como canalizar as características positivas de um DDA?


Dra. Ana Beatriz - Talvez a criatividade seja um dos atributos mais significativos do DDA. Via de regra essa qualidade está acima da média comparando com os indivíduos "não-DDAs". O grau de inteligência também é um ponto extremamente positivo, pois ser DDA não é sinônimo de burrice. Enquanto suas mentes estão a mil por hora, eles estão vivenciando um processo criativo e tendo idéias mirabolantes. Porém, sem ajuda adequada, muitos dificilmente conseguem canalizar esse potencial tão expressivo em algo realmente producente. O grande X da questão é canalizar a impulsividade para aquilo que eles têm de melhor. Por isso o tratamento é tão importante. Na realidade, pessoas com DDA apresentam um quê especial, cujos resultados são espetaculares quando conseguimos acioná-lo.


 DDA em adultos




Até pouco tempo atrás acreditava-se que a doença era problema de criança e que sumia com o passar do tempo. Infelizmente a coisa não é bem assim: quem nasce com DDA carrega o distúrbio pelo resto da vida. Mas foi só em 1980 que a Associação Psiquiátrica Americana reconheceu oficialmente o mal em gente grande também. Por isso ainda há muito preconceito e erros no diagnóstico desses pacientes. Os adultos que padecem de DDA costumam ter dificuldades de organização, não conseguem planejar direito as atividades do dia-a-dia, largam tarefas pela metade e, por isso, se sentem constantemente sobrecarregados. Essas características, que na realidade surgem lá na infância, levam a conflitos em casa e no trabalho.













  1. fonte: http://saude.abril.com.br